Alimentação e hidratação de gatos: guia prático

Alimentação e hidratação de gatos: guia prático
Alimentação e hidratação de gatos | ComGatos
Alimentação, hidratação e rotina

Alimentação e hidratação de gatos: como escolher o alimento e estimular o consumo de água

Saiba como escolher um alimento adequado, entender as diferenças entre alimentos secos e úmidos, organizar as refeições e criar uma rotina que favoreça boa hidratação ao longo da vida.

Conteúdo educativo • Revisão veterinária: Charles Nunes e Silva — médico-veterinário, CRMV-AL nº 350 • Aviso Veterinário

Quando alguém pergunta “qual é a melhor ração para gatos?”, é tentador procurar uma resposta única. Mas ela não existe. A escolha depende da idade, fase de vida, condição corporal, nível de atividade, castração, estado de saúde, preferências alimentares, quantidade consumida e rotina da família.

Uma alimentação adequada também não termina no pote de comida. Água, distribuição dos recursos, frequência das refeições, controle da quantidade e acompanhamento de peso e condição corporal fazem parte do mesmo plano.

A pergunta mais útil não é “qual é a melhor ração?”.

É: “qual alimento completo e qual rotina atendem melhor às necessidades deste gato?”

Parte 1 — Escolher o alimento

Comece procurando um alimento completo

No Brasil, um alimento completo é aquele formulado para atender integralmente às exigências nutricionais do animal de companhia ao qual se destina. Essa informação é um dos primeiros pontos a observar na embalagem — as regras de registro e de rotulagem desses produtos são definidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.

Isso é diferente de produtos destinados apenas a complementar a dieta, petiscos ou alimentos que não foram formulados para constituir a alimentação principal.

Na prática: para a maior parte de um gato saudável, a base da dieta deve ser um alimento nutricionalmente completo e adequado à sua fase de vida.

A fase de vida importa

As necessidades de um filhote não são iguais às de um adulto. E as necessidades de um gato adulto podem mudar conforme ele envelhece ou desenvolve determinadas doenças.

Fases de vida do gato, conforme as diretrizes de 2021 da AAHA e da AAFP.
FaseIdade aproximada
FilhoteNascimento até 1 ano
Adulto jovem1 a 6 anos
Adulto maduro7 a 10 anos
IdosoAcima de 10 anos

Essa divisão vem das 2021 AAHA/AAFP Feline Life Stage Guidelines, que servem de referência para o acompanhamento preventivo em cada fase — não apenas para a alimentação.

Filhotes precisam de alimento próprio para crescimento

O crescimento impõe necessidades nutricionais e energéticas diferentes das de um gato adulto. Por isso, um filhote deve receber alimento completo formulado para essa fase.

Esse também é um período em que, de maneira gradual e segura, pode ser útil familiarizar o gato com diferentes apresentações adequadas de alimento. Essa flexibilidade pode facilitar futuras mudanças de dieta.

Gato jovem diante de porções adequadas de alimento seco e úmido em recipientes separados, em ambiente doméstico seguro
Alimentos secos e úmidos podem fazer parte de uma rotina nutricional adequada quando são completos, apropriados à fase de vida e oferecidos na quantidade correta.

“Para gatos adultos” não significa “à vontade”

Mesmo um excelente alimento pode contribuir para ganho de peso se a quantidade oferecida for maior que a necessidade energética do animal.

Fatores como idade, castração, atividade física, condição corporal e metabolismo individual interferem na quantidade necessária. Por isso, a recomendação da embalagem deve ser encarada como ponto de partida.

Ao longo do tempo, observe peso, condição corporal, massa muscular, apetite, quantidade realmente consumida, atividade e mudanças na rotina.

Castração não exige automaticamente uma “ração especial”, mas exige atenção

Depois da castração, alguns gatos ficam mais propensos ao ganho de peso, principalmente quando continuam com acesso ilimitado a alimentos muito palatáveis e pouca atividade.

Isso não significa que todo gato castrado obrigatoriamente precise consumir um produto com a palavra “castrado” no rótulo. O que importa é que dieta e quantidade sejam compatíveis com necessidade energética, condição corporal, atividade, saúde e rotina alimentar.

Ração seca ou alimento úmido: qual é melhor?

A resposta correta é: depende do gato e do objetivo nutricional.

Alimentos secos e úmidos podem fazer parte de uma dieta adequada quando são completos, nutricionalmente apropriados e utilizados corretamente. A principal diferença relevante para hidratação é que alimentos úmidos contêm muito mais água.

Isso significa que alimento seco faz mal?

Não. Não é correto afirmar que alimento seco, isoladamente, cause doença renal ou urinária. Saúde renal, urinária e hidratação envolvem múltiplos fatores.

É possível oferecer alimento seco e úmido juntos?

Sim. Para muitos gatos saudáveis, é possível combinar alimento seco e úmido em uma mesma rotina. Por exemplo, parte das calorias pode vir do alimento seco e parte do úmido.

O detalhe importante é que as calorias se somam. Não devemos oferecer a quantidade diária completa de alimento seco e acrescentar sachês como se eles não tivessem valor energético.

Sachê é alimento ou petisco?

Depende do produto. “Sachê” descreve a embalagem, não a adequação nutricional. Dentro de um sachê pode vir um alimento de qualquer uma destas categorias:

  • completo;
  • complementar;
  • terapêutico;
  • petisco.

Antes de decidir se aquele produto pode formar parte importante da alimentação, procure sua classificação e indicação no rótulo.

Parte 2 — Hidratação

Hidratação não depende apenas da água que vemos o gato beber

O gato obtém água diretamente do recipiente, da água presente nos alimentos e de pequenas quantidades produzidas pelo metabolismo.

Por isso, dois gatos podem parecer beber volumes diferentes e ainda assim ter ingestões hídricas totais distintas devido ao tipo de alimentação consumida.

Não devemos avaliar hidratação apenas pelo número de vezes que vemos o gato beber.

Por que alguns gatos parecem beber pouca água?

Gatos podem apresentar preferências particulares sobre como, onde e em qual recipiente bebem. Frescor da água, movimento, formato do recipiente e localização podem influenciar a utilização.

Em vez de assumir que “meu gato não gosta de água”, vale melhorar as oportunidades disponíveis e observar quais delas ele realmente utiliza. O guia Encouraging your cat to drink, do International Cat Care, reúne várias dessas estratégias (em inglês, PDF).

Espalhe fontes de água pela casa

Uma única tigela escondida em um canto pode não ser a melhor estratégia. Especialmente em casas maiores ou com vários gatos, oferecer diferentes pontos de água aumenta a possibilidade de acesso.

Mais importante do que contar potes é evitar que todos sejam colocados lado a lado. Três recipientes juntos continuam funcionando praticamente como um único local de acesso.

Gato bebendo água em recipiente largo e limpo, com outro ponto de água visível ao fundo e longe da caixa de areia
Diferentes pontos de água, distribuídos pela casa e afastados da caixa de areia, podem aumentar as opções de acesso.

Água, comida e caixa de areia não precisam ficar juntas

Os recursos devem ser distribuídos. A água não precisa ficar grudada no pote de alimento e, principalmente, não deve ser posicionada junto à caixa de areia.

Comida, água, caixa de areia, descanso e brincadeira são recursos diferentes.

Distribuí-los pelo ambiente pode favorecer conforto e acesso. A organização da caixa de areia tem um artigo só para ela: como organizar a caixa de areia na rotina da casa.

Sala

  • Ponto de água

Cozinha

  • Comida
  • Ponto de água

Corredor ou quarto

  • Ponto de água
  • Descanso em altura

Área de serviço ou banheiro

  • Caixa de areia
A ideia é a distância, não a quantidade. Três potes de água lado a lado funcionam como um só ponto. Espalhados por cômodos diferentes, viram três oportunidades — e a caixa de areia fica longe da comida e da água. O arranjo acima é um exemplo: adapte à planta da sua casa.

Qual é o melhor recipiente para água?

Não existe um único modelo vencedor para todos os gatos. Podemos experimentar tigelas largas, recipientes mais rasos, vidro, cerâmica, aço inoxidável, fontes e diferentes alturas.

O recipiente precisa ser estável, fácil de limpar, seguro e colocado em local confortável. Se estiver montando o enxoval, veja também o guia de compra por necessidade.

Fonte de água é obrigatória?

Não. Uma fonte pode funcionar muito bem para alguns gatos porque oferece água em movimento. Outros simplesmente ignoram.

Portanto, a fonte deve ser tratada como mais uma opção de hidratação, e não como equipamento obrigatório. Se for utilizada, precisa de manutenção regular.

Uma fonte suja não é melhor do que uma tigela limpa.

A água deve ser renovada regularmente

Água fresca deve permanecer disponível. Os recipientes também precisam ser higienizados com frequência. Resíduos de alimento, saliva e biofilme podem alterar cheiro e sabor e favorecer contaminação.

Quantidade de pontos não substitui manutenção.

Posso colocar água no alimento?

Em alguns gatos, acrescentar um pouco de água ao alimento úmido pode ser uma maneira simples de aumentar a ingestão. Também existem situações em que a adição de água ao alimento seco pode ser considerada.

Depois que um alimento seco é umedecido, ele não deve permanecer muitas horas à temperatura ambiente como se ainda estivesse seco.

Se adicionar água fizer o animal parar de comer, a estratégia perdeu sua finalidade.

Mais sede também pode ser um sinal de doença

Nem sempre devemos comemorar quando um gato “finalmente começou a beber muita água”. Aumento persistente da sede pode acompanhar diferentes alterações de saúde.

Procure avaliação veterinária se houver aumento persistente de consumo de água, aumento da quantidade de urina, emagrecimento, mudança de apetite, vômitos ou alteração importante da disposição.

Parte 3 — Ler o rótulo e avaliar o produto

Como escolher um alimento sem se perder na embalagem?

Embalagens possuem grande quantidade de informação nutricional — e também marketing. Termos como “premium”, “super premium”, “natural”, “gourmet”, “ancestral” ou “holístico” podem influenciar nossa percepção, mas não são suficientes para determinar a adequação nutricional de uma dieta.

Informações sobre adequação nutricional, fase de vida, composição, controle de qualidade e fabricante são mais úteis do que palavras promocionais isoladas. O comitê de nutrição da WSAVA publicou um roteiro curto de perguntas para essa avaliação: Guidelines on Selecting Pet Foods (em inglês, PDF).

A lista de ingredientes não conta a história inteira

Muitos tutores aprendem a analisar alimentos exclusivamente pelos primeiros ingredientes da lista. Esse método possui limitações importantes, porque a lista não informa nada sobre:

  • qualidade de cada matéria-prima;
  • digestibilidade;
  • equilíbrio entre nutrientes;
  • adequação da formulação;
  • controle de qualidade;
  • conhecimento técnico por trás do produto.
Avalie nutrientes e adequação do alimento, não apenas nomes de ingredientes.
Pessoa lendo cuidadosamente o rótulo de um alimento para gatos enquanto o gato permanece próximo, em ambiente doméstico
A escolha do alimento deve considerar adequação nutricional, fase de vida, quantidade oferecida e informações do fabricante — não apenas a frente da embalagem.

O fabricante também importa

Ao avaliar uma empresa responsável por alimentos para animais, vale perguntar:

  • Existem profissionais qualificados responsáveis pela formulação?
  • Quem fabrica o alimento?
  • Existe controle de qualidade das matérias-primas e do produto final?
  • A empresa realiza ou apoia pesquisa nutricional?
  • É possível entrar em contato com a empresa para obter informações adicionais?
  • Ela fornece dados nutricionais que não estejam impressos no rótulo?

Essas perguntas vêm das Global Nutrition Guidelines da WSAVA, que também reúnem material de apoio para tutores.

E proteína? Gatos realmente precisam de mais atenção a ela?

Gatos possuem particularidades metabólicas e necessidades específicas de aminoácidos e outros nutrientes. Entretanto, simplesmente escolher o alimento com a maior porcentagem de proteína impressa não garante que ele seja melhor para aquele animal.

Também importam qualidade nutricional global, digestibilidade, equilíbrio, densidade energética, fase de vida e estado clínico.

Parte 4 — Rotina de refeições

Quantas vezes por dia alimentar?

Gatos apresentam comportamento natural de consumir pequenas refeições ao longo do dia. Isso não significa que toda casa precise oferecer comida muitas vezes diariamente.

Quando possível, dividir a quantidade diária em pequenas refeições pode se aproximar melhor desse padrão e facilitar o controle da ingestão. O documento de consenso Feline feeding programs, publicado no Journal of Feline Medicine and Surgery, discute como a forma de oferecer o alimento afeta o bem-estar do gato (em inglês, acesso livre).

A soma das refeições precisa respeitar a quantidade diária adequada.

Alimentação livre o dia inteiro é sempre ruim?

Não obrigatoriamente. Existem gatos que conseguem manter boa condição corporal com alimento disponível. Outros comem além das necessidades quando têm acesso ilimitado.

Isso merece atenção especial quando há excesso de peso, baixa atividade, vários gatos ou dificuldade para saber quanto cada um está comendo.

Em casas com vários gatos, comer junto pode não ser confortável

Colocar várias tigelas lado a lado pode parecer prático para as pessoas, mas os gatos podem perceber aquilo como um único ponto de alimentação. Vale considerar:

  • recipientes separados;
  • distância entre pontos de alimentação;
  • diferentes cômodos;
  • barreiras visuais;
  • alimentadores individuais quando necessário.

Comedouros interativos podem ser utilizados?

Sim, quando o gato gosta deles. Eles podem acrescentar exploração e atividade à rotina alimentar. Mas não devem ser difíceis a ponto de impedir que o animal consiga comer adequadamente.

Comer é uma necessidade; o enriquecimento é complementar. Outras formas de tornar a rotina mais interessante estão no artigo sobre enriquecimento ambiental.

Petiscos também contam

Um pequeno petisco parece irrelevante. Muitos pequenos petiscos todos os dias podem não ser.

Em gatos saudáveis, petiscos devem representar apenas uma pequena parte das calorias diárias, deixando a maior parte para uma dieta completa e equilibrada.

Alimentos que não devem ser oferecidos

Nem tudo o que é comum na cozinha é seguro para o gato. Alguns alimentos humanos podem causar intoxicação mesmo em quantidades pequenas, e o risco não depende de o gato gostar do sabor.

Não ofereça, e mantenha fora do alcance:

  • cebola, alho, alho-poró e cebolinha, crus, cozidos, desidratados ou em pó — inclusive dentro de caldos, temperos prontos e sobras de refeição;
  • chocolate, café e outras fontes de cafeína;
  • bebidas alcoólicas, em qualquer quantidade;
  • massa crua com fermento;
  • ossos cozidos.

Esta lista não é completa. Se o gato ingeriu algo de que você não tem certeza, procure um serviço veterinário e leve a embalagem — e não tente induzir vômito por conta própria.

Leite é um caso diferente: não é tóxico, mas muitos gatos adultos digerem mal a lactose, e leite não é alimento adequado nem substitui água. Ração de cão também não é intoxicação, e sim uma dieta que não atende às necessidades específicas do gato — não deve ser usada como alimentação habitual.

Além dos alimentos, vale lembrar que plantas do gênero dos lírios são perigosas para gatos, inclusive o pólen e a água do vaso. O tema aparece com mais detalhe no artigo sobre como preparar uma casa segura para receber um gato.

Parte 5 — Trocar de alimento

É preciso trocar o alimento periodicamente?

Não. Um gato saudável não precisa mudar de alimento a cada poucos meses apenas para “não enjoar”. Se a dieta é completa, adequada, aceita pelo animal e mantém boa condição corporal, não existe obrigação de trocá-la.

Como trocar o alimento?

Mudanças bruscas podem resultar em recusa ou alterações gastrointestinais em alguns gatos. Quando a situação clínica permite, uma transição gradual costuma ser mais bem tolerada.

Exemplo de transição gradual. O ritmo pode ser mais lento em gatos sensíveis ou seletivos.
PeríodoAlimento antigoAlimento novo
Dias 1–2Maior proporçãoPequena proporção
Dias 3–5Proporção intermediáriaProporção intermediária
Dias 6–8Pequena proporçãoMaior proporção
FinalNovo alimento

Nunca deixe um gato sem comer para “forçá-lo” a aceitar a nova ração

Não é adequado retirar todas as opções e esperar que um gato resistente “coma quando sentir fome”. Gatos que permanecem sem se alimentar podem desenvolver problemas importantes.

Recusa alimentar persistente não deve ser tratada como teimosia.

Se o gato deixa de comer ou reduz de forma importante a ingestão, procure orientação veterinária. Mudança de apetite também pode ser uma das alterações de comportamento associadas a dor.

Parte 6 — Dietas caseiras, cruas e terapêuticas

E alimentação natural preparada em casa?

Uma dieta caseira pode ser formulada para gatos, mas “comida feita em casa” não é automaticamente completa. Dietas improvisadas com carne, arroz, legumes ou suplementos escolhidos sem formulação podem apresentar deficiências ou excessos.

Uma dieta doméstica destinada a ser alimentação principal deve ser formulada individualmente por profissional com capacitação apropriada em nutrição veterinária.

Dieta crua é mais natural e, portanto, melhor?

“Natural” não é sinônimo de seguro ou nutricionalmente adequado. Dietas à base de carne crua podem envolver risco microbiológico e desequilíbrios nutricionais quando não são corretamente formuladas e manejadas.

O risco merece atenção especial em residências com crianças pequenas, idosos, gestantes ou pessoas imunocomprometidas. A WSAVA reuniu esses pontos em Raw Meat Based Diets for Pets (em inglês, PDF).

Dietas terapêuticas são diferentes

Existem alimentos formulados para auxiliar no manejo nutricional de determinadas doenças, incluindo situações relacionadas a doença renal, trato urinário, obesidade, diabetes, doenças gastrointestinais e reações alimentares.

Nesses casos, não é adequado escolher pela experiência de outro tutor. A indicação depende do diagnóstico, do estágio da doença e dos objetivos terapêuticos.

Alimento coadjuvante não substitui diagnóstico.

Parte 7 — Acompanhar o gato ao longo da vida

Gatos idosos não precisam simplesmente de “ração de idoso”

O envelhecimento não é igual para todos os gatos. Alguns começam a ganhar peso; outros passam a perder. Massa muscular, apetite, digestibilidade e presença de doenças tornam-se cada vez mais importantes.

Escolher automaticamente uma embalagem escrita “senior” sem avaliar o animal pode ser simplista demais.

Peso não é a única medida

Dois gatos com quatro quilos podem possuir condições corporais muito diferentes. Por isso, além do peso, veterinários utilizam ferramentas como:

  • Body Condition Score (BCS) — escore de condição corporal;
  • Muscle Condition Score (MCS) — escore de condição muscular.

Acompanhar essas informações ao longo da vida ajuda a perceber tendências antes que se tornem muito evidentes. Essa avaliação faz parte da rotina da consulta — veja o que esperar da primeira consulta do gato.

A WSAVA disponibiliza a tabela de escore de condição corporal para gatos, em nove pontos, com a descrição de cada nível: Cat Body Condition Score (em inglês, PDF). Ela é uma referência de acompanhamento, não um instrumento de diagnóstico: quem interpreta o resultado dentro do quadro do animal é o médico-veterinário.

Gato adulto sendo pesado ou avaliado de forma tranquila em consulta veterinária, com foco em acompanhamento nutricional
Peso, condição corporal e massa muscular ajudam a avaliar se a quantidade e o tipo de alimento continuam adequados ao longo da vida.

A balança doméstica também pode ajudar

Quando possível, registrar periodicamente o peso do gato pode ser útil. O mais importante é observar a tendência.

Exemplo: 4,8 kg → 4,6 kg → 4,3 kg.

Uma sequência assim pode ser mais informativa do que simplesmente afirmar que “ele sempre pareceu magro”. Perda ou ganho não planejado merece atenção.

Parte 8 — Na prática

Uma rotina prática pode funcionar assim

Pela manhã

Porção medida de alimento, água renovada e observação do apetite.

Ao longo do dia

Diferentes fontes de água e pequenas refeições, quando compatíveis com a rotina.

À noite

Nova porção medida, alimento úmido quando fizer parte do plano e limpeza dos recipientes.

Sempre

Observe mudanças de apetite, sede, peso, urina e comportamento.

Checklist para escolher o alimento

Antes de comprar

As marcações não são salvas — servem para você percorrer a lista agora ou imprimir a página.

Checklist para melhorar a hidratação

Em casa, esta semana

Perguntas frequentes

Alimento úmido é melhor que alimento seco?

Não existe resposta universal. Alimentos completos secos e úmidos podem ser nutricionalmente adequados. O alimento úmido possui a vantagem de fornecer maior quantidade de água e pode ser útil quando aumentar a ingestão hídrica é desejável.

Ração seca causa doença renal?

Não é correto afirmar que alimento seco, isoladamente, cause doença renal crônica. A doença renal felina possui múltiplos fatores.

Preciso comprar uma fonte?

Não. Alguns gatos gostam de água em movimento; outros preferem tigelas. Vale oferecer opções e observar a preferência.

Posso deixar água ao lado da comida?

Pode existir água no mesmo ambiente, mas ela não precisa ficar imediatamente ao lado do alimento. Muitos gatos aceitam ou preferem fontes separadas.

Posso deixar água perto da caixa de areia?

Não é uma boa localização. Recursos de alimentação e hidratação devem ser afastados das áreas de eliminação.

Sachê todo dia faz mal?

“Sachê” é apenas um formato de embalagem. Se o produto é um alimento completo, apropriado e fornecido na quantidade adequada, ele pode fazer parte da alimentação habitual.

Como sei se meu gato está comendo demais?

Peso, condição corporal, quantidade oferecida e ingestão real precisam ser avaliados em conjunto. Ganho progressivo de peso indica que o balanço energético deve ser revisto.

Meu gato bebe muita água. Isso é bom?

Aumento importante e persistente de sede merece atenção, principalmente quando representa mudança no padrão habitual ou aparece junto com aumento de urina, perda de peso ou alterações de apetite.

Posso oferecer somente carne?

Não. Carne isolada não constitui uma dieta completa para gatos e pode provocar desequilíbrios nutricionais quando utilizada como alimentação principal.

Posso dar leite para o meu gato?

Leite não é tóxico, mas muitos gatos adultos digerem mal a lactose e podem apresentar desconforto gastrointestinal. Ele também não é uma fonte adequada de nutrição nem substitui a água.

Alimentação adequada é uma combinação

Não existe um único pote, uma única marca ou um único formato que resolva toda a nutrição felina.

Uma boa rotina combina: alimento nutricionalmente completo + quantidade adequada + hidratação + distribuição correta dos recursos + acompanhamento do peso e da saúde.

O alimento úmido pode ajudar a aumentar a ingestão de água. O alimento seco pode fazer parte de uma dieta adequada. Uma fonte pode funcionar para um gato e ser ignorada por outro. Um alimento caro não é automaticamente superior, e a lista de ingredientes não deve ser analisada isoladamente.

O melhor plano alimentar é aquele que atende às necessidades nutricionais do gato, mantém uma condição corporal adequada, favorece boa hidratação e pode ser mantido com segurança ao longo da rotina.

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Referências principais

  1. WORLD SMALL ANIMAL VETERINARY ASSOCIATION. Global Nutrition Guidelines e Global Nutrition Toolkit. WSAVA Global Nutrition Committee.
  2. WORLD SMALL ANIMAL VETERINARY ASSOCIATION. Guidelines on Selecting Pet Foods. Global Nutrition Committee, 2021. PDF.
  3. AMERICAN ANIMAL HOSPITAL ASSOCIATION; AMERICAN ASSOCIATION OF FELINE PRACTITIONERS. 2021 AAHA/AAFP Feline Life Stage Guidelines. 2021.
  4. SADEK, Tammy et al. Feline feeding programs: addressing behavioural needs to improve feline health and wellbeing. Journal of Feline Medicine and Surgery, v. 20, n. 11, p. 1049–1055, 2018. Acesso livre.
  5. INTERNATIONAL CAT CARE. Encouraging your cat to drink: a guide for caregivers. 2024. PDF.
  6. BRASIL. Ministério da Agricultura e Pecuária. Legislação — Alimentação Animal. Normas de registro, rotulagem e propaganda de produtos destinados à alimentação de animais de companhia.
  7. WORLD SMALL ANIMAL VETERINARY ASSOCIATION. Raw Meat Based Diets for Pets. Global Nutrition Committee. PDF.

Links conferidos em 7 de setembro de 2026. A AAFP passou a se chamar Feline Veterinary Medical Association (FelineVMA); mantivemos o nome vigente na publicação das diretrizes de 2021.

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Revisão veterinária: Charles Nunes e Silva — médico-veterinário, CRMV-AL nº 350.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui consulta veterinária. Gatos com doenças, perda ou ganho de peso, mudanças persistentes de apetite ou sede, dificuldade para comer ou necessidades nutricionais especiais devem receber avaliação veterinária individualizada. Leia o Aviso Veterinário.