Dar remédio a um gato que não quer pode virar uma briga a cada horário. A boa notícia é que existe um jeito de fazer com mais calma, mais segurança para o gato e menos arranhões para você. Este guia mostra como dar remédio líquido para gato com uma seringa oral, sem agulha, sem tratar da quantidade ou do horário, que são sempre os que o veterinário prescreveu.
Orientação principal: prepare tudo antes de pegar o gato, mantenha-o calmo, use uma seringa oral sem agulha, coloque a ponta na lateral da boca (logo atrás do dente canino) e solte o líquido bem devagar, em pequenas partes, deixando o gato engolir entre elas. Mantenha a cabeça dele em posição natural, sem levantar o queixo, e não jogue o líquido no fundo da garganta. Se o gato cuspir parte do remédio, não repita nem complete a dose por conta própria: ligue para a clínica antes. Se tossir ou engasgar, pare. Se a rotina estiver impossível, peça ajuda, pois muitas vezes há outra forma de apresentação do medicamento.
Antes de começar a dar remédio líquido para gato
- Confirme com o veterinário o nome do remédio, a quantidade, os horários e a duração. Esse guia não substitui a prescrição. Dê só o que foi prescrito, na apresentação prescrita: não troque por outro produto, inclusive de uso humano, por conta própria.
- Pergunte se pode misturar o remédio a uma pequena porção de comida ou de um petisco líquido. Alguns remédios funcionam melhor com comida e outros precisam ser dados sem comida, e só a clínica sabe qual é o caso. Se puder misturar, não use a refeição principal: o gato pode recusar a comida inteira e você não terá certeza de que ele tomou tudo.
- Use uma seringa oral, sem agulha, e prepare-a com antecedência, fora da vista do gato. Agite ou misture o líquido como indica o rótulo e puxe a quantidade prescrita.
- Se o remédio fica na geladeira, pergunte à clínica se pode ser aquecido e como. O VCA (em inglês) sugere segurar a seringa na mão por 1 a 2 minutos ou colocá-la em banho de água morna, e nunca usar micro-ondas, mas alguns medicamentos têm preparo próprio. Siga o rótulo e a orientação da equipe.
- Escolha um lugar calmo e uma superfície firme, sem escorregar. Se possível, conte com uma segunda pessoa.
- Tenha à mão uma toalha, papel-toalha para limpar e, se a clínica permitir, um petisco que o gato goste.

Passo a passo para dar remédio líquido para gato
- Acalme o gato. Sente-se com ele no colo, faça carinho e fale baixo. Gatos costumam reagir ao ambiente, então um clima tranquilo ajuda.
- Se ele costuma se debater, enrole o gato numa toalha, deixando só a cabeça de fora. Isso protege vocês dois. Nunca aperte a ponto de machucar, e solte o gato se ele se desesperar. A International Cat Care (em inglês) recomenda nunca conter o gato com força.
- Segure a seringa com a mão que você mais usa e apoie a cabeça do gato com a outra, pelas bochechas, em posição natural e nivelada, sem levantar o queixo (veja a seção sobre a posição da cabeça).
- Coloque a ponta da seringa na lateral da boca, logo atrás do dente canino (a “presa”), e incline a seringa levemente para o lado, de modo que o líquido caia sobre a língua. Evite apontar para o fundo da garganta: o gato pode aspirar o líquido.
- Aperte o êmbolo devagar, em pequenas partes, e espere o gato engolir e respirar entre elas. Nunca solte o líquido mais rápido do que ele consegue engolir. Se ele gostar do sabor, deixe-o lamber a ponta enquanto você aperta.
- Termine com um elogio e, se a clínica permitir, um petisco. Associar o fim do remédio a algo bom torna a próxima vez mais fácil. Você também pode oferecer água depois, sem forçar o gato a beber.
- Lave a seringa e guarde o remédio como indica o rótulo.
A imagem acima mostra o preparo dos materiais, não a técnica. Se quiser ver o movimento ao vivo, peça à equipe veterinária para demonstrar na consulta.
Posição da cabeça ao dar o remédio
Mantenha a cabeça do gato em posição natural, nivelada, sem levantar o queixo. A Cornell (em inglês) orienta não inclinar a cabeça do gato para cima ao dar líquidos. O VCA descreve uma inclinação leve para trás para abrir a boca, mas, como o risco é o líquido ir para o pulmão, a posição nivelada é a mais cautelosa. As fontes divergem, então peça à clínica para mostrar como fazer com o seu gato.
E se o gato cuspir?
É comum o gato cuspir um pouco do líquido, e às vezes ele faz espuma na boca, o que, segundo o VCA, pode ocorrer pelo sabor do remédio. O que fazer depende do medicamento. A FDA (em inglês), agência americana de medicamentos, explica que repetir uma dose pode fazer o corpo absorver remédio demais e causar efeitos colaterais, e que é o veterinário quem orienta o que fazer. Por isso, não repita nem complete a dose por conta própria: ligue para a clínica e pergunte antes de dar de novo. Anote quanto você acha que ele cuspiu, para informar.
Quando parar e procurar atendimento
Se o gato tossir ou engasgar durante a administração, pare, solte-o, deixe-o respirar e não force mais líquido. Dar o remédio rápido demais ou direcionado ao fundo da garganta é uma causa comum de pneumonia por aspiração, segundo o MSD Veterinary Manual (em inglês). Se ele estiver com dificuldade para respirar, respirando rápido ou com a boca aberta, procure atendimento veterinário imediatamente.
Nas horas e nos dias seguintes, fique atento a tosse, respiração rápida ou difícil, febre, apatia ou recusa de comida: são sinais que o manual associa à pneumonia por aspiração e que pedem avaliação veterinária. Se ele recusa comida, veja também gato sem comer: a partir de quando é perigoso.
Como reduzir o estresse
- Treine sem remédio. Use a seringa oral, sem agulha, para oferecer um petisco líquido próprio para gatos para ele lamber. Assim, a seringa passa a significar algo bom.
- Mantenha uma rotina. Mesmo lugar, mesmo horário e mesmo jeito de segurar ajudam muitos gatos a antecipar o que vai acontecer.
- Recompense do jeito que o seu gato gosta. Um petisco, carinho ou uma brincadeira depois do remédio constroem uma associação positiva. Pergunte à clínica se o remédio permite comida logo depois.
- Use a toalha se ele tolerar. Alguns gatos ficam mais calmos enrolados, outros se debatem mais. Se a toalha aumentar o estresse, solte e converse com a clínica.
- Não corra atrás do gato. Se ele fugir, espere e tente de novo em outro momento, dentro do horário que o veterinário permitir.
Se você está nervoso, respire e peça a alguém para ajudar. Se o gato já está estressado por outros motivos, veja também enriquecimento ambiental para gatos.
Quando pedir ajuda ao veterinário
Peça ajuda se:
- você não consegue dar o remédio, ou você ou o gato estão se machucando;
- o gato fica muito estressado a cada tentativa;
- o gato cospe o remédio com frequência e você não sabe quanto tomou;
- o gato recusa comida ou fica apático depois do remédio.
O veterinário pode dar a dose na clínica, ensinar um jeito mais fácil ou avaliar se existe outra forma de apresentação do medicamento. Para saber o que esperar de uma consulta, veja primeira consulta do gato. Nunca dê remédio por conta própria: use só o que o veterinário prescreveu.
Para saber quais remédios de farmácia são perigosos para gatos, veja Remédios humanos que intoxicam gatos: paracetamol e outros.
Perguntas frequentes
Posso misturar o remédio líquido na ração?
Só se o veterinário disser que pode, porque alguns remédios precisam ser dados com comida e outros sem. Mesmo assim, use uma pequena porção de comida ou petisco, não a refeição inteira, para ter certeza de que o gato tomou tudo e não passar a recusar a comida.
O gato cuspiu o remédio. Dou outra dose?
Não repita nem complete a dose por conta própria. O que fazer depende do medicamento: ligue para a clínica antes de dar de novo.
Preciso de duas pessoas?
Ajuda bastante. Uma segura o gato (se ele tolerar, enrolado numa toalha) e a outra administra. Se estiver só, use a toalha, se ele tolerar, e uma superfície firme.
Onde colocar a ponta da seringa?
Na lateral da boca, logo atrás do dente canino, com a seringa levemente inclinada para o lado, para o líquido cair sobre a língua e não no fundo da garganta. A cabeça fica em posição natural, sem levantar o queixo.
Que seringa devo usar?
Uma seringa oral, sem agulha, de preferência a que a clínica ou a farmácia veterinária forneceu com o remédio. Nunca use seringa com agulha na boca do gato.
O gato espuma pela boca depois do remédio. É perigoso?
A espuma pode ocorrer pelo sabor do remédio, segundo o VCA. Mas, se ele tiver dificuldade para respirar, tosse, vômito repetido ou fraqueza, procure o veterinário.
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- Primeira consulta do gato: o que esperar
- Gato sem comer: a partir de quando é perigoso
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Aviso veterinário: este guia tem finalidade educativa e não substitui a avaliação de um médico-veterinário. Quantidade, horário e duração de qualquer medicamento são definidos pelo veterinário que atende o seu gato.
