Fogos de artifício e gatos formam uma combinação difícil. Réveillon, São João, jogos de futebol e comemorações de bairro: o estouro dos fogos é uma das situações mais assustadoras para os gatos. Os sons são altos e imprevisíveis, os clarões entram pelas janelas e o gato, que depende do seu território seguro, não entende o que está acontecendo. Boa parte do sofrimento pode ser reduzida com preparo.
Orientação principal: mantenha o gato dentro de casa antes do horário previsto dos fogos, com janelas, portas e cortinas fechadas, um esconderijo à vontade, caixa de areia, comida e água dentro de casa, em pontos separados, um som de fundo baixo e a sua presença tranquila. Não force contato, não o prenda num cômodo contra a vontade e não o deixe sair. Se o susto for intenso ou o gato tiver reações fortes todos os anos, converse com o veterinário antes da próxima data.
Fogos de artifício e gatos: prepare a casa
- Confira o microchip e a identificação. Um gato assustado pode fugir. A Cats Protection (em inglês) recomenda manter os dados do microchip atualizados, com endereço e telefone corretos. Se o gato usar coleira, escolha uma com fecho de abertura de segurança (que se solta se ela prender) e com ajuste adequado: a RSPCA da Austrália (em inglês) orienta que caiba um dedo grande ou dois pequenos entre a coleira e o pelo, e que ela seja conferida toda semana.
- Monte um esconderijo em um lugar tranquilo (veja a seção abaixo) e deixe-o pronto alguns dias antes, para o gato se acostumar.
- Treine o “toque de recolher”. Para o gato da casa que tem acesso à rua, comece a mantê-lo dentro de casa nos dias anteriores, antes do horário em que os fogos costumam começar.
- Considere um difusor de feromônio no ambiente onde o gato mais fica, instalado semanas antes: segundo a Cats Protection, cerca de duas semanas, e a RSPCA do Reino Unido (em inglês) diz que ele funciona melhor quando usado com antecedência. Ele ajuda alguns gatos, não todos. Pergunte ao veterinário se tiver dúvidas.
- Organize brinquedos novos, como uma varinha, para distrair se o gato quiser.
- Telas nas janelas. Se a sua janela tem tela de proteção, confira se está bem presa antes do dia. Veja como preparar uma casa segura para um gato.
Durante os fogos
- Mantenha o gato da casa dentro de casa antes do horário previsto dos fogos, e não só à noite: há jogos e comemorações de dia. Feche as saídas para o exterior (portas, janelas e a portinhola) e bloqueie só os vãos perigosos, onde um gato assustado poderia ficar preso. Isso vale para o seu gato; não capture nem confine de improviso um gato de rua que você não conhece.
- Deixe tudo dentro de casa, em pontos separados: comida, água e caixa de areia, para ele não precisar sair. Mantenha a caixa de areia afastada dos potes de comida e de água.
- Feche cortinas e persianas para reduzir os clarões e o ruído que chega de fora.
- Ponha um som de fundo baixo e familiar: música (a Cats Protection cita música clássica) ou rádio ou TV. Isso pode reduzir o impacto dos sons de fora, mas não os apaga. Evite programas com barulhos súbitos.
- Dê livre acesso aos cômodos de costume e mantenha a temperatura confortável, sem abafar a casa. A Cats Protection avisa que prender o gato em um único cômodo pode aumentar o estresse de alguns.
- Fique por perto, calmo. Se estiver em casa, aja normalmente. Se tiver de sair, deixe um espaço seguro montado.

Esconderijos que funcionam
Gatos buscam abrigo em lugares fechados ou altos. A Cats Protection sugere:
- uma caixa de papelão com uma manta dentro;
- uma caminha forrada com cobertores, de preferência numa toca;
- um ponto alto, como topo de armário, árvore para gatos ou prateleira firme;
- espaços que o gato já usa para se esconder.
Não bloqueie a saída do esconderijo. O gato deve poder sair quando quiser. Se quiser ideias para o ambiente do dia a dia, veja enriquecimento ambiental para gatos.
O que não fazer
- Não tente tirar o gato do esconderijo nem o pegue no colo à força. Deixe que ele venha até você e decida quanto contato quer.
- Não grite nem castigue. O medo não é birra.
- Não deixe o gato sozinho sem esconderijo montado.
- Não dê remédios por conta própria. Se o seu gato sofre muito, converse com o veterinário com antecedência.
- Não use o gato como “teste de coragem” aproximando-o da janela para “se acostumar”.
Sinais de estresse
A Cats Protection lista como sinais de medo: esconder-se ou se afastar, comer ou beber menos, linguagem corporal de medo, andar de um lado para o outro, assustar-se fácil, fazer xixi ou cocô fora da caixa e lamber-se em excesso. Outros sinais comuns de medo incluem pupilas dilatadas e orelhas viradas para trás. Esses sinais costumam ser passageiros, mas o que fazer quando eles persistem está na próxima seção.
Depois dos fogos e quando chamar o veterinário
- Deixe o gato sair do esconderijo quando quiser e volte à rotina aos poucos.
- Ofereça comida e água frescas e confira a caixa de areia.
- Atendimento imediato: se o gato fizer força para urinar ou soltar pouca ou nenhuma urina, procure o veterinário na hora. Isso vale para machos e para fêmeas (veja gato macho fazendo força para urinar).
- Ligue para o veterinário: se ele recusar comida ou água, evitar a caixa de areia ou continuar muito assustado depois dos fogos. A RSPCA do Reino Unido orienta falar com o veterinário diante de qualquer mudança de apetite, e a Cats Protection lembra que um medo que persiste é um problema tratável. Não espere um prazo fixo se algo parecer errado.
- Se o gato fugiu, procure perto de casa em esconderijos, avise vizinhos e clínicas e confira o microchip.
- Se o medo se repete todo ano, o veterinário pode avaliar o caso e, se necessário, encaminhar a um especialista em comportamento.
Fogos de artifício e gatos: regras locais
Algumas cidades e estados do Brasil restringem os fogos com estampido, permitindo os de efeito visual ou de baixo ruído, e a proteção dos animais está entre os motivos. As regras variam de lugar para lugar, e a sua aplicação também. Por exemplo, a capital paulista tem a Lei municipal nº 16.897/2018, que proíbe o manuseio, a queima e a soltura de fogos de estampido e de artefatos de efeito sonoro ruidoso no município, e o Estado de São Paulo tem a Lei estadual nº 17.389/2021, que proíbe a soltura, a comercialização, a armazenagem e o transporte de fogos com estampido no estado. Esses exemplos valem só para os locais citados: verifique a lei do seu município e do seu estado, que podem ter regras e exceções diferentes ou ter mudado.
Perguntas frequentes
Meu gato tem acesso à rua. O que faço no dia dos fogos?
Mantenha-o dentro de casa antes do horário previsto, com tudo de que precisa. Comece a treinar o “toque de recolher” alguns dias antes. Se for um gato de rua que não é seu, não o capture nem o prenda de improviso.
Devo trancar o gato num quarto?
A Cats Protection avisa que prender o gato em um único cômodo pode aumentar o estresse de alguns gatos. Dê acesso aos lugares que ele costuma usar e garanta esconderijos.
Música ajuda?
Um som de fundo baixo e familiar pode reduzir o impacto dos estouros em alguns gatos, mas não os apaga. A Cats Protection cita a música clássica. Evite volume alto e programas com barulhos repentinos.
Posso dar calmante?
Não sem orientação do veterinário. Se o seu gato sofre muito todos os anos, converse com ele com antecedência, pois pode haver outras estratégias e acompanhamento comportamental.
Meu gato se escondeu e não sai. O que fazer?
Deixe-o ficar e evite tentar tirá-lo à força. Se ele recusar comida ou água, não usar a caixa de areia ou continuar muito assustado depois dos fogos, ligue para o veterinário. Se fizer força para urinar ou soltar pouca ou nenhuma urina, procure atendimento na hora.
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Aviso veterinário: este guia tem finalidade educativa e não substitui a avaliação de um médico-veterinário. Se o seu gato fizer força para urinar, recusar comida ou água ou continuar muito assustado, procure atendimento veterinário.
